Reflexões de uma repórter na terra do Acarajé

terra do acaraje

Por Adriana Amaral

Estive semana passada em Salvador, na Bahia, e me deparei com uma realidade totalmente diferente das pessoas que moram na região Sudeste do país. Fui lá para gravar uma matéria para a Tv Record, onde sou repórter pra quem ainda não sabe. Chegamos, eu e minha equipe, na praia do Farol da Barra, por volta de 10 horas da manhã. A praia ainda estava tranquila, gravamos a primeira entrevista da longa jornada que nos aguardava e voltamos para o hotel, que ficava alí mesmo. Quando acabou o trabalho e pude me distrair, a surpresa: era segunda-feira, 14h e a praia estava mais lotada do que a Praia Grande, SP, nas férias de janeiro. Centenas de guarda-sóis, música rolando, aquele churrasquinho na areia e as baianas preparando deliciosos, pelo menos pareciam, acarajés à beira-mar. Pensei…”gente, as pessoas não deveriam estar trabalhando agora”?

Bom, foram quatro dias de gravações. Fomos fazer uma matéria de superação. Era a história de uma garota que havia passado por tudo, abuso sexual, envolvimento com traficantes, sequestradores, mas que agora havia encontrado um rumo na vida. Gravamos em comunidades, praias e pontos turísticos e o que me chamou a atenção, independente dos locais que visitamos, foi a alegria e o desprendimento do povo de lá. Independente da pobreza, das condições precárias, das dificuldades, a galera se diverte…e se diverte com pouco.

Num dos momentos de descanso, sentei na areia para apreciar o Por do Sol, aliás um dos mais belos que já vi na vida, e lá fiquei observando o que acontecia a minha volta. Havia três mulheres, na faixa de 30 anos, bebendo, conversando, comendo uns “negocinhos”, enquanto um menininho, que não devia ter mais que dois anos de idade, corria, nu em volta delas dando gargalhadas. O mundo parecia se resumir aquela vida, aqueles momentos. Do outro lado, nas pedras, uma senhora, de biquíni e com as curvas já judiadas pelo tempo e pela falta de cuidados, sensualizava para a câmera fotográfica da amiga, sem se importar com olhos alheios…ela se sentia linda e do jeito dela, estava!

Em outro momento de folga, já no final do dia, fui fazer standup padlle para relaxar, bom demais! Conheci a turma da Submerso Esportes Aquáticos, do Robson Oliveira. Bom, ele também largou a vida que levava para viver o sonho. Deixou de ser Coordenador Elétrico de uma grande empresa, para se tornar instrutor de mergulho adaptado às pessoas com algum tipo de deficiência. Passa o dia no mar e está felizão!

Conclusão de tudo isso? Aquela primeira impressão que eu tive, do começo do texto, sobre o trabalho, se tornou reflexão. Será que estamos satisfeitos com nossas escolhas, caminhamos a favor do fluxo, nos acostumamos com a vida que levamos, deixamos o tempo passar, simplesmente? Sei lá! Hoje sou feliz assim…no futuro? Quem sabe eu vou pescar…

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